Certas barbaridades do passado, quando vistas hoje, parecem dignas de uma mentalidade medieval, mas em verdade muitas delas aconteceram praticamente ontem. Pode parecer difícil imaginar que 50 anos atrás – que, em uma mínima perspectiva histórica, é como se fosse no instante passado – a presença de uma mulher participando de uma corrida pudesse não só causar escândalo como reações violentas contra a corredora em questão, mas foi isso que se sucedeu com Kathrine Switzer na Maratona de Boston de 1967.

 

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Kathrine precisou superar muito mais do que os 42 quilômetros de corrida para se tornar a primeira mulher a oficialmente completar a tradicional maratona da cidade de Boston, nos EUA: ela não só foi verbalmente agredida por outros corredores, que tentaram obriga-la a não usar maquiagem na pista, como foi fisicamente agredida por um juiz, que tentou retira-la da pista à força e aos gritos, sendo impedido pelo namorado de Kathrine.

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Para participar, a maratonista se inscreveu com o nome K. V. Switzer, uma alcunha neutra, que confundiu os juízes – as mulheres só seriam aceitas de fato na corrida cinco anos depois, já em 1972.

Kathy Switzer Roughed Up By Jock Semple In Boston Marathon

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Para comemorar os 50 anos de seu feito, Kathrine decidiu participar da edição de 2017 da mesma maratona, aos 70 anos de idade. Depois da Maratona de Boston de 1967, ela acabou sendo expulsa do União Atlética Amadora, da qual fazia parte, mas se tornou instantaneamente uma celebridade e um ícone da luta por igualdade de gêneros.

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Além de construir uma forte carreira como maratonista, Kathrine permaneceu como uma militante feminista dentro dos esportes até hoje. O que hoje pode parecer simples, na realidade tornou-se um fato histórico, e a dimensão profunda do machismo e da misoginia na sociedade ainda hoje pode ser medida por essa história.

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© fotos: divulgação


Fonte: http://www.hypeness.com.br/2017/04/primeira-mulher-a-completar-oficialmente-a-maratona-de-boston-sob-agressoes-vai-corre-la-novamente-50-anos-depois/